Produtores de Arroio Grande acumulam perdas e entidades avançam para ação civil pública contra a CEEE Equatorial
- IGOR VIEIRA - MÍDIA CAMPO

- 9 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

Mobilização conjunta de entidades diante do colapso no fornecimento de energia
A sucessão de falhas no fornecimento de energia elétrica em Arroio Grande levou as principais entidades do setor produtivo local — o Sindicato Rural, a Associação dos Arrozeiros e a Cooperativa dos Proprietários do Distrito de Irrigação da Barragem do Arroio Chasqueiro Ltda. (Coodic) — a oficializar um movimento conjunto em busca de solução definitiva para um problema considerado crônico pelos produtores.
Na manhã desta quarta-feira (03), as instituições convocaram uma assembleia extraordinária na sede do Sindicato Rural, onde as lideranças aprovaram de forma unânime o ingresso coletivo de uma ação civil pública contra a CEEE Equatorial.
O objetivo é assegurar padrões mínimos de qualidade no serviço e evitar que o campo continue arcando com prejuízos crescentes.
Reunião marca inflexão após tentativas frustradas
A reunião, que contou com a presença do presidente do Sindicato Rural, Marcelo Silveira, do presidente da Coodic, Ladislau Silveira, do Diretor Jurídico da Federarroz, o advogado Anderson Belloli e de diversos produtores rurais. O clima foi de urgência e descontentamento diante da escalada de problemas.
Segundo o advogado Dr. Anderson Belloli, a situação ultrapassou o limite do aceitável:
“É muito descaso e a situação se agravou. Há localidades em que propriedades chegam a ficar 20 dias sem luz. Por isso, não restou alternativa. As instituições que representam a classe decidiram seguir este caminho, que vários municípios também fizeram, obtendo êxito”, destacou.
As lideranças reforçaram que, após inúmeras tentativas de diálogo e solicitações formais à companhia, não houve avanço significativo. Por isso, recorrer à Justiça tornou-se a única via capaz de garantir reação imediata — especialmente por meio de uma liminar.
Impactos diretos em um período crítico para o agronegócio
O momento é particularmente sensível para os produtores, que enfrentam uma séria crise no agronegócio somada à fase de irrigação das lavouras. A falta de energia compromete de forma severa sistemas de bombeamento, armazenagem e manejo, provocando perdas que se acumulam a cada novo episódio de interrupção.
O fornecimento elétrico adequado, ressaltam as entidades, não é apenas uma necessidade operacional, mas um elemento essencial para a continuidade econômica e para a geração de renda no município.
Reivindicação antiga e avanço jurídico
A precariedade no fornecimento de energia não é um problema novo. As lideranças recordam que o tema já esteve no centro de inúmeras solicitações ao longo dos últimos anos. Desde o início de 2025, as entidades passaram a estruturar, conjuntamente, os passos jurídicos necessários para assegurar que as atividades agropecuárias — fundamentais para o desenvolvimento regional — possam ser exercidas com as condições mínimas que a lei assegura. Em abril de 2025, as mesmas entidades organizaram ação coletiva que foi encaminhada ao Ministério Público cobrando melhorias da CEEE Equatorial.
Posicionamento da Coodic
O presidente da Coodic, Ladislau Silveira, enfatizou que a decisão reflete o esgotamento de todas as alternativas de diálogo e a necessidade de defender os produtores que dependem exclusivamente de energia para manter suas estruturas funcionando:
“É insustentável que produtores fiquem dias ou semanas sem luz, justamente no período em que a irrigação é vital para a lavoura. Estamos falando de prejuízos reais, de risco à sustentabilidade das propriedades e de impacto direto na economia de Arroio Grande. Essa ação é, acima de tudo, uma atitude em defesa dos nossos associados e da produção rural”, afirmou.
A ação deverá ser protocolada nos próximos dias no Fórum, e as entidades reforçam que seguirão acompanhando de perto cada passo do processo, mantendo os produtores informados e mobilizados até que uma solução efetiva seja alcançada.



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